sábado, abril 19, 2008

A minha filosofia de ensino

Já escrevi há algum tempo o meu juramento socrático. Praticamente copiei-o do de Aldemaro Romero, mais para me servir de inspiração e orientação do que como culminar de um processo de reflexão e maturação. Volto a ele de vez em quando, para me assegurar que se mantém lá, naquela franja subliminar onde as decisões são tomadas.

Decidi agora dar o passo seguinte: o de estabelecer uma filosofia de ensino. Ou melhor, a minha filosofia de ensino. Esse passo já mais gente deu, pelo menos no mundo anglo-saxónico, porque aparentemente é requerido nas candidaturas.

Uma filosofia de ensino pessoal é um conjunto de afirmações que devem reflectir o nosso posicionamento pessoal perante a tarefa de ensinar e perante as necessidades dos estudantes, da instituição e da sociedade. Lee Haugen sugere que se responda a 4 perguntas:
  • Para quê? Quais são os meus objectivos como professor?
  • Por que meios? Que métodos vou usar para atingir estes objectivos?
  • Até onde? Como avalio o grau de persecução dos meus objectivos?
  • Porquê? Porque estou nesta profissão?
Outros textos de apoio para esta tarefa são os de Helen Grundman, do TiPPS e da FTAD.

Vou só buscar uma folha de rascunho e volto já...

quinta-feira, abril 17, 2008

Online Tutoring


Somos seres sociais, e nada substitui o contacto inter-pessoal. Que mais não seja, assumir um compromisso perante uma pessoa (o professor, neste caso) é uma mais forte motivação para executar uma tarefa do que uma entrada na agenda.

Daí que mesmo em cursos à distância seja necessária alguma forma de tutoria para garantir o sucesso pedagógico e assegurar a componente pessoal da experiência.

Descobri hoje um Online Tutoring e-book que me parece estar bem organizado e ter um manancial de ideias a explorar. O facto de resultar de um workshop permite ter um cruzamento de experiências e perspectivas que é muito enriquecedor. A discussão sobre o construtivismo, no âmbito dos modelos de aprendizagem, é um exemplo disto.

Claro que muito do que é útil para a tutoria online o é igualmente para a tutoria tout-court. E eu prefiro claramente este conceito ao do ensino tradicional...

domingo, março 09, 2008

The danger in the academic world

"To my mind our danger [in the academic world] is exactly the same as that of the older system [the scholasticism of the late medieval period]. Unless we are carefull, we shall conventionalize knowledge. Our literary criticism will suppress initiative. Our historical criticism will conventionalize our our ideas of the springs of human conduct. Our scientific systems will suppress all understanding of the ways of the universe which fall outside of their abstractions. Our ways of testing will exclude all the youth whose ways of thought lie outside our conventions of learning. In such ways the universities, with their scheme of orthodoxies, will stiffle the progress of the race, unless in some fortunate stirrings of humanity they are in time remodeled or swept away."
Alfred North Whitehead
Essays in Science and Philosophy


domingo, fevereiro 24, 2008

Aforismos...

Informação não é conhecimento.


terça-feira, fevereiro 12, 2008

Hiperverbosidade obfuscatória

... ou, porquê a tendência de ligar o complicómetro?


quinta-feira, janeiro 31, 2008

A tirania da investigação

A fábula de que um professor universitário tem que ser também um investigador está a acabar, pelo menos no Reino Unido. E ainda bem! Com o nosso atraso, esta onda chegará cá daqui a 10 anos. E pode ser que o Mariano Gago da altura se lembre então de rever o ECDU. Pode ser. Mas vou esperar sentado...

Mete-se pelos olhos dentro a falsidade da ligação entre a qualidade da investigação e a do ensino. Pois não há bastos exemplos de excelentes investigadores que são péssimos professores? Porque não há-de o contrário ser verdade?

segunda-feira, janeiro 21, 2008

O que é uma universidade?


“A university is what a college becomes when the faculty loses interest in students”

John Ciardi

Li esta reflexão num excelente artigo de Matthew Reisz no Times Higher Education sobre a ideia da universidade. Muito no contexto britânico, claro, mas com tempo para passar em revista os conceitos de Universidade de Newman (The idea of a University) e de Humboldt, e ainda elencar outros menos, digamos, ortodoxos, como o citado acima ou este outro de um vice-reitor da Birmingham City University:

higher education (...) consists, he suggests, of courses that are "difficult, stimulating, challenging and exciting" for students aged 18 and older arriving with two A levels.


Termino com mais duas referências, para mais tarde digerir:

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Respostas a Kirschner et al. (2006)

Ainda não li o artigo de Kirschner, Sweller & Clark, 2006. Why Minimal Guidance During Instruction Does Not Work: An Analysis of the Failure of Constructivist, Discovery, Problem-Based, Experiential, and Inquiry-Based Teaching. Educational Psychologist, 41(2), 75-96.

Mas já li a resposta de Stephen Downes (e vi o vídeo e os slides), e sei de um artigo de resposta na mesma revista do artigo original (Cindy E. Hmelo-Silver, Ravit Golan Duncan, and Clark A. Chinn. 2006. Scaffolding and Achievement in Problem-Based and Inquiry Learning: A Response to Kirschner, Sweller, and Clark (2006). Educational Psychologist 42(2), 99-107.)

Este pode ser um exemplo dos problemas de selectividade associados a uma aprendizagem sem orientação, mas eu prefiro assim...

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Como ensinar (quase) qualquer coisa a (quase) qualquer pessoa

Artigo provocador de Felder & Brent (2006):



Escrever objectivos de aprendizagem detalhados e dá-los a conhecer aos alunos. Esses objectivos devem especificar acções directamente observáveis e cobrir todas as capacidades (skills) que se pretende que os alunos dominem. Devem ser comunicados aos estudantes de forma a orientar o seu estudo e a a preparação para os momentos de avaliação.


Ensinar uma capacidade antes de a avaliar. Explicar e ilustrar o que se pretende, mostrar bons e maus exemplos e fazer os estudantes trabalharem em pequenos grupos para os criticarem, depois fazer momentos de avaliação formativa sobre esse conteúdo.


Usar grelhas (rubrics) para a avaliação sumativa de tudo o que envolva uma avaliação subjectiva por parte do professor. Quanto mais claro é o sistema de avaliação, melhor os estudantes correspondem às expectativas.


Se uma competência é importante, deve ser avaliada. Os estudantes só se empenham em aprender aquilo que é avaliado. Isso não é preguiça, é um comportamento racional.




A receita é simples e eficaz. Para a aplicar só é preciso tempo e organização. E vontade...