terça-feira, maio 16, 2006

A modernização das universidades europeias

A Comissão Europeia apresentou no passado dia 10 uma comunicação sobre a modernização das universidades europeias.

A Comissão entende que esta modernização é essencial para o sucesso da Estratégia de Lisboa e por isso identifica 9 áreas em que as mudanças são mais importantes:
  1. Mobilidade: aumentar substancialmente a proporção de estudantes e investigadores que passam um período de estudos noutro país da UE.
  2. Assegurar uma verdadeira autonomia e responsabilização das universidades: implementar sistemas de governação baseados em prioridades estratégicas e numa gestão profissional dos recursos humanos, dos investimentos e dos procedimentos administrativos; superar a actual fragmentação em faculdades, departamentos, laboratórios e unidades administrativas, centrando os seus esforços colectivos nas prioridades institucionais para a investigação, ensino e serviços.
  3. Criar incentivos para parcerias estruturadas com a comunidade empresarial.
  4. Fornecer a mistura adequada de capacidades e competências para o mercado de trabalho: os programas universitários devem ser estruturados para aumentar directamente a empregabilidade dos graduados.
  5. Tornar mais efectivo o financiamento em educação e investigação: as universidades devem ser financiadas mais pelo que fazem do que pelo que são, e devem assumir maior responsabilidade pela sua sustentabilidade financeira a longo prazo.
  6. Aumentar a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade: o ensino e a investigação devem focar-se menos nas disciplinas científicas e mais em domínios de investigação.
  7. Partilhar o conhecimento com a sociedade e reforçar o diálogo com os principais interlocutores.
  8. Recompensar a excelência: cada universidade deve identificar os campos em pode atingir a excelência e concentrar-se neles.
  9. Tornar o Espaço Europeu de Ensino Superior e de Investigação visível e atractivo: desenvolver uma cooperação internacional mais estruturada; simplificar os procedimentos legais e administrativos para a entrada de estudantes e investigadores de fora da UE.
O texto completo pode ser descarregado aqui.

Algumas coisas são mais fáceis do que outras. Algumas são mais defensáveis do que outras. Mas todas são urgentes.

Eu não diria que precisamos de modernizar as universidades- precisamos é de as futurizar.

domingo, maio 07, 2006

O currículo no ensino superior

on Higher Education Curriculum: um excelente artigo de Luis Moutinho, no qual os actuais desafios ao ensino superior são analisados no contexto de uma análise absolutamente pertinente sobre os actuais conceitos do currículo. Retenho a última frase:

A solution blending students oriented and skills based curricula with that professional concern of the vocational curricula, with a renewed emphasis in the student-centered learning, should be, in my opinion, closest to the societal demands, and to the economical concerns. Anyway, it is my belief that the curriculum should be more an individual construction in order to make the HE experience a meaningful and effective learning odyssey.
Concordo absolutamente, e acrescento: uma aposta firme e consequente no ensino centrado no aluno é um elemento essencial na diferenciação e valorização de universidades pequenas e periféricas. É, noutras palavras, uma forma de fazer dos problemas vantagens.

domingo, abril 09, 2006

Educação e Formação 2010

A Comissão Europeia tem dinamizado, na sequência da Estratégia de Lisboa, uma série de inciativas destinadas a atingir o objectivo de "tornar a Europa na economia baseada no conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo".


Na componente de Educação, estas iniciativas foram agrupadas sob a designação "Education and Training 2010". Eixos importantes são:
  • Definição dos objectivos dos sistemas de educação e de formação na Europa, explicitados neste programa de trabalho, e que são
    • Melhorar a qualidade e a eficácia dos sistemas de educação e de formação na UE
      • Melhorar a educação e a formação dos professores e dos formadores
      • Desenvolver as competências necessárias à sociedade do conhecimento
      • Assegurar que todos possam ter acesso às tecnologias da informação e da comunicação (TIC)
      • Aumentar o número de pessoas que fazem cursos técnicos e científicos
      • Optimizar a utilização dos recursos
    • Facilitar o acesso de todos aos sistemas de educação e de formação
      • Um ambiente aberto de aprendizagem
      • Tornar a aprendizagem mais atractiva
      • Apoiar a cidadania activa, a igualdade de oportunidades e a coesão social
    • Abrir ao mundo exterior os sistemas de educação e de formação
      • Reforçar as ligações com o mundo do trabalho, a investigação e a sociedade em geral
      • Desenvolver o espírito empresarial
      • Melhorar a aprendizagem de línguas estrangeiras
      • Incrementar a mobilidade e os intercâmbios
      • Reforçar a cooperação europeia
  • O Quadro Europeu de Qualificações, que congrega muitos dos conceitos actualmente em desenvolvimento nas instituições de ensino superior. Do Documento de Trabalho publicado em Julho do ano passado retiro que
    • O conceito de competência é usado de uma forma integradora, como a expressão da capacidade de um indivíduo combinar - de uma forma auto-dirigida, tácita ou explicitamente e num contexto particular - os diferentes elementos de conhecimento e de skills que ele possui. O conceito de competência inclui
      • competências cognitivas, envolvendo o uso de teorias e conceitos, assim como conhecimento tácito informal obtido através da experiência:
      • competências funcionais (skills e know-how), as coisas que uma pessoa deve ser capaz de fazer num contexto de trabalho, de aprendizagem ou de actividade social;
      • competências pessoais, envolvendo saber como se comportar numa situação específica;
      • competências éticas, envolvendo a posse de determinados valores pessoais e profissionais.
    • Objectivos de aprendizagem são afirmações do que se espera que um estudante saiba, compreenda e/ou seja capaz de fazer no final de um período de ensino. Neste documento distinguem-se três tipos
      • conhecimento (reflectindo competências cognitivas)
      • skills (reflectindo competências funcionais)
      • competências alargadas (pessoais e profissionais, reflectindo elementos das competências pessoais e éticas)
    • São estabelecidos oito níveis de referência para a competência, estruturados de acordo com os três tipos de objectivos de aprendizagem. Os Descritores de Dublin, que foram recentemente adoptados na legislação sobre os graus e diplomas (DL-74/2006), integram-se nos 3 níveis superiores desta escala.
  • O documento "Key competences for lifelong learning", que estrutura as competências-chave necessárias para todos numa sociedade baseada no conhecimento em oito domínios, explicitados em termos dos conhecimentos, skills e atitudes correspondentes:
    • Comunicação na língua materna
    • Comunicação numa língua estrangeira
    • Literacia matemática e competências básicas em ciência e tecnologia
    • Competência digital
    • Aprender a aprender
    • Competências interpessoais e cívicas
    • Empreendedorismo
    • Expressão cultural

quarta-feira, março 22, 2006

Depósito de dissertações e teses

Um excelente serviço da Biblioteca Nacional: a possibilidade de depositar dissertações e teses em formato digital.


Quantos directores de curso sabem que podem depositar aqui as teses de licenciatura? Quantos coordenadores de mestrado depositam aqui as teses produzidas pelos seus estudantes? Para os doutoramentos sei que existem procedimentos mais rigorosos, mas mesmo assim...

WebCT vs. Moodle


No debate em que estou envolvido sobre as vantagens e desvantagens do software open-source no contexto do e-learning (peço perdão pelos estrangeirismos), este recurso disponibilizado pelo EDU-Tools dá uma ajuda importante.

domingo, março 12, 2006

Outra vez a responsabilidade

"Estive sempre convencida que a capacidade de compreender é directamente proporcional à responsabilidade. Quanto mais compreendemos, mais somos responsáveis pelas coisas compreendidas. É por isso que os intelectuais são sempre mais culpados do que os outros pelas doenças da sociedade."

Ana Blandiniana

sexta-feira, março 10, 2006

Plano Estratégico

Pugnar pela qualidade num estabelecimento de ensino superior, no sentido que expus anteriormente, passa por ter um plano estratégico estruturado, atendendo aos condicionalismos internos e externos. Essencial nesse plano são metas muito bem definidas, acompanhadas de indicadores que permitam avaliar o progresso em cada uma delas.


Dois excelentes casos de estudos são proporcionados pelos planos estratégicos de duas universidades espanholas: Santiago de Compostela e Deusto.

quinta-feira, março 09, 2006

Classificação

A internet é como um saco de cerejas- não se consegue tirar uma só. E entre as que se apanham sem se procurar, há algumas bem doces.


Foi assim que fui dar com este artigo de Phill Race, "The Art of Assessing". Este autor, que ganha a vida a dar acções de formação para docentes e alunos do ensino superior (v. página pessoal), conseguiu fazer uma soberba condensação dos prós e contras de 10 instrumentos de classificação (começo a preferir este termo, como sinónimo de avaliação sumativa) que devem fazer parte da caixa de ferramentas de qualquer professor: dos exames (tradicionais e estruturados) às provas orais, passando pelos relatórios, ensaios e portfolios.

Só a parte dos conselhos sobre a correcta utilização de cada técnica vale o artigo. Um pequeno excerto relativo aos exames tradicionais:
  • Don't do it on your own!
  • Ask colleagues: 'what would you say this question really means?'
  • Write out an answer to your own question.
  • Decide what the assessment criteria will be. Check that these criteria relate clearly to the syllabus objectives or the intended learning outcomes. Make it your business to ensure that students themselves are clear about these objectives or intended outcomes, and emphasise the links between these and assessment.
Senso comum? Tomara...

segunda-feira, março 06, 2006

Impasse Mariano

A siatuação de impasse relativamente à expansão do ensino politécnico nos Açores criada pelas declarações do ministro na sua recente deslocação à Região é objecto de uma análise muito pertinente de João Vasconcelos Costa.

sábado, março 04, 2006

Responsabilidade

Enquanto instituição de ensino, a universidade recebe pessoas que lhe confiam uma parte do seu futuro. Pessoas que contam com o melhor esforço de todos os elementos da universidade no sentido da melhoria constante de todos os aspectos relacionados com o ensino e com a aprendizagem. É uma grande responsabilidade, esta.


Uma das coisas que faz falta na nossa universidade é um Gabinete de Apoio ao Estudante, entendido numa perspectiva de aconselhamento em termos de carreira e de desenvolvimento pessoal. Numa altura em que se pretende que o estudante construa a sua própria carreira, e em que a sociedade mudou o emprego em empregabilidade, a universidade é responsável por muito mais do que fornecer o saber livresco- deve estender uma mão amiga, deve mobilizar os seus recursos e o seu capital de maturidade no sentido de enriquecer o percurso universitário do estudante, transformando-o numa experiência positiva e enriquecedora a múltiplos níveis.

A UNESCO preocupou-se com este aspecto já em 1998, no âmbito da "World Conference on Higher Education". E publicou vários livros sobre o assunto, os quais são um bom ponto de partida para a reflexão sobre este assunto: