sexta-feira, junho 06, 2008

Desacordo ortográfico






Eu já assinei a petição. Só não tenho a t-shirt...

6 comentários:

Luís disse...

Interessante. Há algumas alterações propostas pelo acordo ortográfico que me parecem estranhas. Curiosamente, não tenho qualquer problema com as palavras estampadas nessa T-shirt.

Com certeza que é estranho ver estas alterações em palavras que aprendemos há dezenas de anos, mas agrada-me que a ortografia se torne mais fonética.

José N. Azevedo disse...

Talvez seja sobretudo a questão do hábito, porque não percebo o suficiente de gramática para poder criticar tecnicamente o acordo.

Mas há também o facto de ser uma modificação por decreto, uma intervenção feita por uma elite numa coisa que é de todos nós.

E não vejo os resultados práticos: eu consigo detectar um texto em brasileiro mesmo que esteja na grafia europeia, portanto para quê o acordo?

E, finalmente, desagrada-me interferir com a evolução. Tal como a deriva genética se instala e afasta progressivamente patrimónios genéticos isolados geograficamente, há certamente um inevitável deriva gramatical associada à geografia e à história. Em nome de quê interferimos com ela? O isolamento manteve o ornitorrinco e criou as aves do paraíso. Uniformidade é morte.

Luís disse...

Também não vejo grandes resultados práticos, para além da aproximação da ortografia à pronúnica, que me agrada. (Mas não sei se isso conta como resultado prático. :-))

Relativamente à questão da evolução. Se desde cedo ensinamos às crianças como se deve escrever e lhes damos "reguadas" quando escrevem mal, onde há espaço para "evolução" na ortografia? Não há muito, e isso é provavelmente uma coisa boa.

José N. Azevedo disse...

Aí já entramos em questões a que eu não sei mesmo responder. Sei que a língua evolui mesmo com os normativos: há palavras que se passam a usar e outras que desaparecem, por exemplo. Há até palavras e expressões que entram na linguagem corrente mesmo estando erradas (lembro-me com arrepios de "células estaminais" e das malfadadas "acessibilidades"). Mas parece-me lógico que a língua evolua mais devagar se houver uma gramática, um dicionário, um prontuário e, claro, reguadas.

alfacinha disse...

A língua é uma coisa viva, mesmo os passarinhos já mudam as suas cançonetas ao ouvir o sinal dos telemóveis. Porque, não a língua!
Estudo o português.

José N. Azevedo disse...

Eu não tenho nada contra a mudança, ou não estivesse eu consciente do poder da evolução. Uma das coisas que me custa é esta mudança por decreto, a imposição de cima para baixo de formas de escrita que não nos são naturais.

Mas fiquei curioso com essa dos passarinhos... Isso é um mito urbano, ou consegue indicar-me uma referência séria para essa observação?